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Pequenas alegrias: revisitar os anos 70

Sábado, 20.02.10

 

Sendo um exemplar de uma adolescente na década de 70, gostei muito da irreverência de David Bowie, na personagem andrógina provocante e no som original. E gostei de ver que continuou a compor como se o filão nunca se esgotasse, sempre inovador. David Bowie fez da sedução o seu maior trunfo, mais parecia um marciano que tivesse acabado de aterrar no palco. E as fotografias das capas dos discos eram simplesmente fabulosas.

Hoje descobri, numas gravações antigas, uma canção que não conhecia e que fala do vento... let me fly away with you... my love is like the wind... we are like creatures of the wind... fala desse paralelismo do amor e do vento nas árvores... a voz imita o som do vento... a canção é lindíssima, não sei explicar melhor.

 

Revisitei também o som de John Lennon, já pós-Beatles. John Lennon tinha esse sentido artístico-filosófico-político, uma autêntica obsessão, fez do seu activismo uma forma de vida, uma constante performance, essa dimensão da revolta de um Power to the People ou essa utopia poética do Imagine.

É das personagens mais fascinantes dos anos 70, porque os acompanha de muito perto, é o seu rosto, com uma mensagem sempre irreverente. Também não lhes sobreviverá, a aventura que foi a sua vida termina precisamente no último ano da década. 

 

Os anos 70, já o disse aqui, foram de certo modo paradoxais, porque a par de uma sociedade ainda muito fechada e convencional, surgia outra camada, sobretudo juvenil e ligada à arte, muito irreverente e excessiva, muitos deles universitários e activistas, em que a liberdade era pura e simplesmente a ausência de limites.

Talvez por isso mesmo, por essa ausência de fronteiras, foi uma época tão fascinante. E, também por isso, decadente. Mas ainda assim, fascinante.

 

E talvez por isso mesmo vemos hoje um revivalismo nalgumas séries televisivas, como Life on Mars, e nalguns filmes também, como o The Darjeeling Limited.

 

Não deixa de ser irónico, porque também os anos 70 foram revivalistas dos anos 20 e 30, no design de roupa e no cinema. Talvez porque são épocas com traços comuns, como a rebeldia e a liberdade, nas ideias e nos comportamentos. Talvez porque nelas encontraram provavelmente paralelismos estéticos e culturais.

Exemplos de filmes (curiosamente em todos eles entra o Robert Redford): The Way We Were, The Sting e The Great Gatsby.

 

  

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 00:28








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